De baia improvisada a palestrante renomada: conheça a trajetória da empresária do ramo de cavalos que começou a empreender aos 7 anos
Conheça a trajetória de empresária do ramo de cavalos de elite que empreendeu aos 7 anos Com sorriso fácil, voz firme e uma trajetória marcada pelo empreen...
Conheça a trajetória de empresária do ramo de cavalos de elite que empreendeu aos 7 anos Com sorriso fácil, voz firme e uma trajetória marcada pelo empreendedorismo desde a infância, Maria Jordana Caldas se destaca no mercado de animais de elite. Aos 28 anos, ela é especialista em comportamento equino, conhecida por domar cavalos sem agressividade e por ministrar cursos e palestras sobre empreendedorismo e equitação em diferentes estados do país. Sua trajetória profissional começou aos 7 anos, quando passou a vender pulseiras para realizar o sonho de ter um cavalo. Anos depois, transformou a paixão pelos animais em profissão, criou uma escola de equitação que funcionou por oito anos e hoje percorre o Brasil compartilhando experiências sobre cavalos, negócios e desenvolvimento pessoal. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Natural de Ipameri, na região sudeste de Goiás, Maria Jordana tem formação técnica em agropecuária e gestão de empresas. Ela ganhou o primeiro cavalo aos 12 anos, um potro sem raça definida chamado Silver. Aos 15 anos, já competia em provas de três tambores com a égua Quarto de Milha Missy, que ela mesma treinava e cuidava em casa. Atualmente, ela possui 12 animais de elite de raças como Quarto de Milha, Mangalarga e Appaloosa. Os cavalos, que durante anos fizeram parte da escola de equitação, hoje estão em uma fazenda e são utilizados em passeios e outras atividades. Maria Jordana Caldas, conhecida como 'Horse Woman', é especialista em comportamento equino. Foto: Jeferson Britto/Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM: Cavalo de R$ 22 milhões e genética internacional: conheça mercado de animais de elite que movimenta Goiás De famosos, a presente de Cristiano Ronaldo e R$ 257 milhões em vendas: veja detalhes de leilão de luxo em Goiás Cavalo impressiona ao ser avaliado em R$ 88 milhões após ter metade dele arrematada durante leilão O início da paixão Ao g1,Maria Jordana contou que, desde pequena, era apaixonada por cavalos, mas a família não tinha condições de comprar um animal. O pai, Vagner Pires Barbosa, trabalhava como montador de móveis e a mãe, Meiriellen Caldas, era operadora de caixa em um supermercado. Foi então que ela teve a ideia de fazer pulseiras para juntar dinheiro e comprar um cavalo. “Eu era muito insistente nessa vontade de ter um cavalo, mas meus pais falavam que era muito caro. Então, um dia, eu ganhei uma caixinha de miçangas e comecei a fazer pulseiras para juntar dinheiro e comprar um cavalo. Ainda criança, montei uma bancada para vender as pulseiras. Depois comecei a vender canetas na escola também, tudo para juntar dinheiro”, contou. Segundo Maria Jordana, ela passou dos 7 aos 12 anos tentando realizar o sonho de ter um cavalo próprio. O esforço foi reconhecido e a tia, Elmi Maria Alves, presenteou Maria Jordana com o primeiro cavalo, o Silver. Na época, ela tinha 12 anos e passava férias na fazenda da tia. “Foi aí que comecei a empreender de novo. Nessa época minha mãe já tinha aberto uma confeitaria, então começamos a fazer cupcakes para eu vender na escola. Com o dinheiro, eu comprava ração e cuidava do cavalo em casa mesmo”, disse. Maria Jordana e o cavalo Silver quando criança e na adolescência. Arquivo Pessoal/Maria Jordana Caldas Doma sem agressividade Durante o processo de treinamento do primeiro cavalo, Maria Jordana decidiu que queria aprender a domá-lo sozinha. Foi nesse período que ela começou a pesquisar métodos diferentes dos modelos tradicionais. “Quando chegou a fase de domar esse cavalo, eu queria fazer isso sozinha. Na época vi muita gente usando força e agressividade com os animais. Isso me incomodava”, contou. Segundo ela, foi pesquisando na internet que encontrou conteúdos da Universidade do Cavalo, em São Paulo, e passou a estudar formas de doma mais respeitosas. Adolescente, Maria Jordana competia em provas de três tambores com sua própria égua treinada. Arquivo Pessoal/Maria Jordana Caldas Provas de três tambores Além da doma, Maria também começou a se apaixonar pelo esporte dos três tambores. Mas ainda existia um desafio: cavalos de competição eram muito caros. “A gente encontrou uma égua da raça que eu precisava para competir, porque o cavalo que eu tinha, o Silver, não tinha raça definida. Então eu vendi esse cavalo, juntei o dinheiro que tinha, meu pai me ajudou e conseguimos comprar a égua de competição”, contou. 🔎 A prova dos três tambores é uma competição de velocidade em que cavalo e amazona precisam contornar três tambores posicionados em formato triangular no menor tempo possível. Há penalidade quando um tambor é derrubado durante o percurso. Sem condições financeiras de pagar treinador ou manter o animal em um centro especializado, Maria Jordana treinava e cuidava da Missy. Ela e os pais construíram uma baia para o animal no quintal de casa. Na época, Maria Jordana tinha 15 anos. “Na nossa casa. A gente construiu uma baia e meu pai me ajudava nos cuidados. Todos os dias eu atravessava a cidade para treinar e competir com ela”, contou. Maria Jordana foi bicampeã goiana em uma competição da modalidade, conquistando o título por dois anos consecutivos. Ela também participou de finais de rodeios e acumulou diversas colocações no pódio em provas de três tambores. Escola de equitação e palestras pelo Brasil Após começar a competir, Maria Jordana abriu uma escola de equitação dentro do Parque de Exposições de Guamiranga. A escola foi criada em 2018 e funcionou durante oito anos. No fim daquele mesmo ano, após conseguir recursos com o trabalho desenvolvido no local, ela fez sua primeira formação na Universidade do Cavalo, em São Paulo, investindo em cursos profissionalizantes na área. O espaço cresceu rapidamente e exigia dedicação integral da jovem empresária. Alguns cavalos ficavam na própria casa dela, onde as baias já eram em maior número. Segundo Maria, a parceria com o Sebrae foi importante durante o processo de crescimento da escola. Entre os alunos da empresária está a instrutora de equitação Sara do Carmo, de 18 anos, que participou da escola durante sete anos e diz considerar Maria Jordana uma "encantadora de cavalos". "A conexão que a Maria cria com os cavalos é profunda. Parece que ela fala a língua deles”, contou. Sara disse ainda que Maria ajudou não apenas no treinamento da égua, mas também no desenvolvimento da sua autoestima e confiança, pois enfrentava depressão e ansiedade quando começou a fazer aulas de equitação. “Ela acreditou no nosso potencial mesmo quando eu não acreditava. Esse apoio me ajudou em momentos muito difíceis”, afirmou. Sara e Maria Jordana em campeonatos. Silvério/Arquivo Pessoal/Sara Em 2025, Maria decidiu pausar temporariamente as atividades da escola para se dedicar às palestras e projetos realizados em diferentes estados do Brasil. “Como comecei a viajar mais, percebi que não conseguiria manter a qualidade do trabalho estando fora com frequência”, explicou. Atualmente, ela realiza entre três e quatro cursos por mês em diferentes cidades do país, geralmente aos finais de semana. As palestras sobre empreendedorismo são feitas em eventos e por meio de convites. Segundo Maria Jordana, ela já falou para mais de 4 mil pessoas ao longo da carreira. Atualmente, Maria também desenvolve o projeto “Mundo Infantil da Horse Woman”. Nele, ela transforma casos reais de cavalos que já treinou em historinhas para colorir e, assim, levar o universo dos cavalos também para as crianças. Segundo a empresária, o faturamento bruto anual da escola de equitação girava em torno de R$ 250 mil antes da pausa das atividades. Atualmente, Maria Jordana foca em palestras e seu projeto 'Mundo Infantil da Horse Woman' Arquivo Pessoal/Maria Jordana Caldas Do sonho no quintal ao empreendedorismo no agro Para Jéssica Mello, analista do Sebrae, a entidade esteve presente desde o início da trajetória empreendedora de Maria Jordana. A analista explicou que, quando a empresária decidiu formalizar o negócio e transformar a paixão pelos cavalos em atividade profissional, procurou o Sebrae em busca de orientações sobre abertura de empresa, formalização e estruturação do empreendimento. “Esse primeiro contato foi fundamental para ela entender os caminhos do empreendedorismo de forma segura e planejada”, disse. De acordo com Jéssica, o Sebrae ajudou Maria Jordana a enxergar a atividade não apenas como paixão, mas também como um negócio com potencial de crescimento. “Por meio de capacitações e orientações recebidas através da Sala do Empreendedor da cidade dela, ela teve acesso a conteúdos sobre gestão, empreendedorismo, marketing, atendimento ao cliente e fortalecimento da presença digital, pontos essenciais para quem trabalha diretamente com imagem e relacionamento no agro”, explicou. A analista ressaltou que a parceria ajudou na ampliação do mercado e fortaleceu a identidade profissional da empresária. “Hoje, ela é um exemplo de como é possível unir propósito, talento e gestão para construir uma trajetória sólida no agronegócio”, afirmou. Empreendedorismo feminino no agro Jéssica destacou que Maria Jordana tem o empreendedorismo na veia e que a trajetória dela inspira outros jovens empreendedores do agro, especialmente mulheres que desejam conquistar espaço em um setor tradicionalmente desafiador. “O grande diferencial que o Sebrae identifica nessa trajetória é justamente a coragem de transformar uma paixão em oportunidade de negócio, aliada à busca constante por conhecimento e profissionalização”, disse a analista. Ela ressaltou ainda que o Sebrae tem orgulho de apoiar trajetórias como a de Maria Jordana, incentivando o desenvolvimento de negócios sustentáveis e fortalecendo o protagonismo feminino no campo. O papel da família Os pais, Vagner Pires e Meiriellen Caldas tiveram papel fundamental para o sucesso de Maria Jordana. Arquivo Pessoal/Maria Jordana Caldas Maria Jordana afirma que os pais tiveram papel fundamental em toda a trajetória. Segundo ela, mesmo sem condições financeiras, eles sempre incentivaram os sonhos da filha. “Meu pai me incentivava muito, me ajudou demais. Ele sempre foi quem mais acreditou em mim”, disse emocionada. Vagner Pires Barbosa morreu há três anos em decorrência de um câncer. Segundo Maria Jordana, ele acompanhou toda a trajetória dela com os cavalos, desde a compra do Silver até a criação da escola de equitação. A mãe acompanha até hoje o crescimento profissional da filha. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás