cover
Tocando Agora:

Césio-137 e Chernobyl: Qual diferença entre os acidentes radioativos?

Após 30 anos, vítimas do acidente com césio-137 dizem sofrer com a falta de apoio médico Os acidentes em Goiânia e em Chernobyl, na Ucrânia, estão entre ...

Césio-137 e Chernobyl: Qual diferença entre os acidentes radioativos?
Césio-137 e Chernobyl: Qual diferença entre os acidentes radioativos? (Foto: Reprodução)

Após 30 anos, vítimas do acidente com césio-137 dizem sofrer com a falta de apoio médico Os acidentes em Goiânia e em Chernobyl, na Ucrânia, estão entre os maiores acidentes radioativos ocorridos no mundo. Entretanto, o acidente do Césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987, e o acidente em Chernobyl, ocorrido no ano anterior, se diferenciam no nível de radiação e na extensão que atingiram. Esse nível de radiação é definido pela Escala Internacional de Radiação (Ines, na sigla em inglês). ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp O acidente na capital goiana atingiu o nível 5, enquanto em Chernobyl a radiação chegou ao nível máximo da escala: 7. O professor de química da Universidade Federal de Goiás (UFG) Elias Yuki explica que os dois acidentes são radiativos, mas o que ocorreu na Ucrânia foi um acidente nuclear e, em Goiânia, foi um acidente radiológico. “O acidente de Chernobyl é um acidente nuclear, pois envolve um isótopo que é usado, principalmente, para a geração de energia, que, no caso, foi o Urânio-238. Em Goiânia, foi um acidente radiológico, ou seja, era uma fonte usada para material médico para tratamento de câncer”, esclareceu Elias. Equipamento de radiologia onde foi encontrada a cápsula do Césio-137 Divulgação/Cnen Segundo o professor universitário, o Césio-137 emite mais radiação do que o Urânio-238, entretanto o acidente na Ucrânia foi muito mais letal por ter sido em uma usina que explodiu, atingindo uma região muito maior, incluindo a atmosfera e o solo. “Morreu muito mais gente por contaminação, morreu diretamente por excesso de dose e, a longo prazo também, por uma exposição muito grande a esse material radioativo”, explicou o professor. Veja fotos e vídeos da época do acidente O professor explicou que, além da intensidade da radiação, o tempo de meia-vida entre o Césio-137 e o Urânio-238 também diferencia os dois acidentes. Esse tempo de meia-vida é o tempo em que metade do material radioativo decai. “Por exemplo: 10 gramas de Césio. Para metade dessa massa decair, são 30 anos. No caso de Goiânia, fazem 39 anos, então eu já posso dizer que metade do material já decaiu. No caso do Urânio-238, a meia-vida é mais ou menos de 4,5 bilhões de anos. Ou seja, Chernobyl vai ficar muito tempo sem ser habitada, tanto pela massa de material radioativo quanto pela quantidade”, informou. Maria Gabriela, de 35 anos, e Leide das Neves, de 6, morreram vítimas do césio-137, em Goiás Reprodução/TV Anhanguera LEIA TAMBÉM: Quem encontrou o Césio-137, em Goiânia? Césio-137 foi um acidente radioativo ou radiológico? O que aconteceu com as vítimas do Césio-137? Césio-137: veja cronologia do maior acidente radiológico Entenda: Acidente Césio-137 em Goiânia Em 1987, Goiânia viveu um dos maiores acidentes radioativos da história, deixando quatro pessoas mortas: Leide das Neves Ferreira, Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza. O acidente aconteceu após os catadores Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves recolherem um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), no Setor Central. Para vender a peça para um ferro velho, os catadores removeram o lacre da cápsula, na qual estava a substância até então desconhecida. O acidente foi classificado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear como nível cinco, em uma escala de um a sete. Pontos contaminados pelo Césio-137 que seguem monitorados em Goiânia Thiago Oliveira/Arte TV Anhanguera Veja como estão os locais atingidos pelo Césio-137 O aparelho radiológico era considerada uma máquina obsoleta, à época, cuja fonte radioativa era de Césio-137. Ela foi deixada para trás, em meio a ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), Segundo a publicação da Secretaria de Estado de Saúde (SES), a orientação da Cnen era que esse tipo de equipamento fosse substituído por versões mais modernas, que só produzissem radiação quando ligados a fontes de alta tensão, sendo, assim, mais seguras. Na época do acidente, um monitoramento realizado no Estádio Olímpico avaliou mais de 112.800 pessoas. Entre elas, 249 apresentaram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente. Pessoas passam por triagem e monitoramento de radiação durante atendimento no Estádio Olímpico após contaminação pelo Césio 137 Acervo/O Popular Atualmente, mais de mil pessoas ainda frequentam o Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), órgão criado em 2011 para prestar apoio à população afetada pelo material radioativo. O Cara surgiu da antiga Superintendência Leide das Neves (Suleide). O novo órgão dividiu os pacientes em três grupos: o de pacientes que apresentaram mais de 20 rads, unidade de medida de quantidade de radiação identificada; os com menos de 20 rads; e o formado por vizinhos do local onde houve o acidente e trabalhadores que atuaram na área contaminada. O órgão continua em funcionamento até os dias atuais, prestando assistência às vítimas diretas e indiretas do acidente. Imagens da tragédia do Césio 137 Reprodução/ TV Anhanguera 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás